Agenda da Moda Brasileira

3 03 2010

Como a moda no Brasil não pára, entre março e junho rolam pelo país algumas semanas de moda regionais e eventos de novos criadores que merecem destaque, por isso colocamos aqui as datas dos eventos e o sites oficiais pra você já ficar sabendo de antemão o que vai rolar. o registro do outracostura pra esses eventos, você sabe, vai chegando aos poucos.

Capital Fashion Week – 18 a 20 Março – Brasília

www.cfw.com.br

Santa Catarina Moda Contemporânea – 20 Março – Balneário Camboriú

www.scmc.com.br

Dragão Fashion Brasil – 25 a 28 de Abril – Fortaleza

www.dragaofashion.com.br

Minas Trend Preview – 27/04 a 01/05 – Belo Horizonte

blog.minastrend.com

Mercado de Moda Paraense – Caixa  de Criadores – 07 a 10 de Junho – Belém (PA)

www.caixadecriadores.com

Rio Moda Hype – 19 e 20/05 – Fashion Bussiness – Rio de Janeiro

riomodahype.wordpress.com

UPDATE: Colocamos aqui também as datas já confirmadas das semanas de moda do eixo RJ-SP.

Casa de Criadores – 24 a 26 de Maio – São Paulo

www.casadecriadores.com.br

Fashion Rio – 28/05 à 02/06 – Rio de Janeiro

São Paulo Fashion Week – 08 à 14 de Junho – São Paulo

www.ffw.com.br





RioModaHype – Verão 2010

8 06 2009

Demorou um pouquinho mas chegou a cobertura OutraCostura dos desfiles que aconteceram no Rio Moda Hype, evento de novos criadores que abriu o Fashion Rio Verão 2010 na última sexta.

Pra quem ainda não conhece o projeto, ele funciona como um concurso, onde todo ano marcas recentes no mercado devem se inscrever para tentar conseguir uma vaga nas sessões que o RMH realiza já há alguns anos dentro do FashionRio. Como o próprio FashionRio vêm mudando, talvez seja a hora do formato do RMH mudar um pouco, pois ao mesmo tempo em que algumas marcas ainda o encaram o evento como um concurso, criando coleções extremamente presas aos croquis da inscrição, ao mesmo tempo já vemos marcas (que já participam a mais edições) olharem mais para o consumidor e para a sua identidade, demonstrando um amadurecimento perto dos iniciantes.

Mudando ou não, uma coisa é certa, o RioModaHype é a plataforma mais importante do Rio e não deve deixar de existir, aconteça o acontecer na gestão de Paulo Borges, principalmente por ser o evento mais representativo que temos, pois são desfiladas coleções de estilistas de vários estados do Brasil. Por essas e outras, e pelas roupas que veremos à seguir, é que o OutraCostura têm o prazer de comentar todos os desfiles.

Julia ValleJulia ValleJulia ValleJulia Valle

Corrente de Criação A estilista Julia Valle (MG), destaque duplo ano passado na sua estréia no RMP e como parte da equipe da marca Printing, trouxe nesta edição (fotos acima) um estudo sobre os movimentos de massas de ar em edificações, que inspiraram o processo de construção de suas peças, modeladas a partir de desenho livre (moulage) e continuando o trabalho com o programa Generator, que gera modelagens alteradas que Julia re-constrói e constrói assim uma identidade pro seu trabalho. Foi uma coleção de muitas cores, mas em tons bem gostosos de usar: branco, vermelho, amarelo, laranja e azul. Senti falta da boa estamparia da última edição, mas apareceram bordados e aplicações cheios de personalidade, como é caso do incrível blazer com a frente enviesada que Julia criou, um futuro must-have de verão em Belo Horizonte.

Martins PauloMartins PauloMartins PauloMartins Paulo

Cores de Almodóvar Martins Paulo (PI), que deve se chamar Paulo Martins, trouxe na sua segunda participação no RMP uma aula de coordenação de cores e estampas (fotos acima). Sua inspiração, o kitsch e as cores do cineasta Pedro Almodóvar em uma pegada de punk 80. Todo mundo poderia esperar uma catástrofe, mas o estilista fez ótimos recortes, combinações  e volumes localizados. A mistura de estampas chega a ser inacreditável, assim como as misturas de cores como azul, verde, vermelho e preto na mesma peça, mas tudo funciona, mostrando bem o estilo e a perspicácia de Martins Paulo, que é visível desde suas coleções mais antigas que a gente encontra no seu blog-loja. Nota curiosa: A Salinas também desfilou no último sábado uma coleção inspiradas na cores de Almodóvar, sinal que nesse verão o kistch deve ser o novo geek (hehe).

R. GrooveR. GrooveR.GrooveR. Groove

Rockin the Jungle Rique Gonçalves (RJ) é um dos estilistas mais antigos do evento, têm loja própria e alguns pontos de venda no Rio, e talvez por isso já mostre uma maturidade comercial com a sua marca R.Groove. Nesta edição, inspirado pela música The Jungle, do Kiss, Rique decidiu juntar selva e rock, e o resultado é uma alfaiataria bacana, que vai do estilo safari ao rocker. Tem tênis com aplicação de tachas e também chapéu de caçador à moda Santos Dumont (amassados). Na cartela: cinza, um amarelo apagado, tons de areia e marrom e tons technicolor que aparecem no final, na divertida estampa de onça marrom-verde cítrico e no blazer/colete em listras, com direito a camiseta do Kiss. Foi bem discreto, mas a R.Groove também entrou na onda ‘masculino-femimino’, com a blusa longa branca com debrun cinza que veio por baixo de um blazer, e no macacão cácqui com bolsos laterais.

Fernanda YamamotoFernanda YamamotoFernanda YamamotoFernanda Yamamoto

Pescaria Inteligente A estilista Fernanda Yamamoto (SP) abriu os desfiles do RMP com a idéia de misturar pescaria e geometria (fotos acima). Da pescaria, surgiu uma estampa delicada criada a partir de uma imagem de iscas e penduricalhos em formato de peixe. Da geometria, as linhas retas e as estampas gráficas, e a origem das formas usadas nas construções (através de moulage). Em tons nude e delicados, Fernanda soube dosar comercial e conceitual em peças de tule, cetim, cambraia e tricot, mas um interessante destaque foi um dos acessório da coleção, uma bolsa-chapéu-objeto-de-design que deu super certo.

LoreLore

Como atrair seu amor A dulpa de estilista Lô Rosado e Rê Vieira, que juntaram seus apelidos carinhosos e criaram a Lore (PE), se inspiraram nos símbolos populares para atrair a sorte e o amor, como trevos, fitas coloridas, elefantes e biscoitos da sorte, e esses foram os elementos usados para criar o melhor do desfile, as estampas (fotos acima). Infelizmente, para uma semana de moda, a dupla não trouxe nada de novo em suas peças de seda, tricoline, linho e malha, e nem ousou criar recortes (que mudariam um pouco a estamparia) . Mas, olhando por outro lado, as meninas não deixaram de criar peças que podem ajudar a mulherada a atrair um namorado.

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Pijama com colete A Jotadê (SP), das estilistas Juliana Totti (Jota) e Daniela Okamura (Dê), nessa estréia bem que poderia se chamar de DegraDê, pois trouxe uma coleção apenas em branco e tons de cinza. Mas também tinham elementos da alfaitaria masculina, suspensórios, e homens delicados, inspirados por filmes da Nouvelle Vague. Tirando um maiô frouxo que eu não entendi, o resto da coleção foi bem estruturado, finalizando com uma mistura de alfaiataria e underwear, com um look de coletinhos e um calcinha em risca de giz.

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Masculinos Tendenciosos O estilista Alisson Rodrigues (PR), que trabalha como assistente/modelista na Mulher Elástica (marca que eu adoro), pensou no universo da construção civil e trouxe um compacto do que vem acontecendo na moda masculina, com estampas coloridas, uma camisaria bem feita e um linha jeanswear bacana (foto 01) pra uma marca ainda iniciante, mas eu particularmente preferia que fosse sem respingos de tinta. Já a Butch (RS) é uma marca de beachwear masculina com certa visibilidade estrangeira e loja virtual, e na sua segunda participação no RMP atrelou elementos de gala ao universo da praia, com estampas de phyton, aplicação de canutilhos, degradê de tons de cinza e gravatas borboleta em lycra (foto 02). Comercial demais, a coleção acabou trazendo peças complementares simples, o que apagou o trabalho pensado para as sungas, por sinal bem pequenas em alguns casos.

Vitorino CamposStefania

Femininos Vencedores O estilista Vitorino Campos (BA), considerado um dos novos nomes promissores da moda baiana e vencedor do último concurso de novos talento do Barra Fashion Bahia , mostrou que sabe vestir uma mulher com tecidos e cores elegantes (foto 01), mas deixou passar um pouco mais de assinatura e uma cartela com mais cores. Já a premiada do ano passado no RioModaHype, Stefania (DF), decidiu entrar no universo cubista e acertou na construção de algumas peças como uma saia balonê  (foto 02) e ombreiras, mas errou ao escolher, para um desfile tão pequeno, silhuetas e modelos semelhantes em vários looks, o que deixou a coleção sem diversidade.

Bruna RibeiroUrsula Felix

Roupa, Conceito e Assinatura A recém-formada Bruna Ribeiro (SP) olhou para o workwear de garis, faxineiros, operários e decidiu reinterpretá-los para um estilo, diríamos, meio osklen (foto 01), trazendo regulagens, peças dupla-face e a multifuncionalidade, esses itens que infelizmente não foram vistos claramente na passarela, além de cores quentes e entradas em dupla que não agradaram muito. Inspirada pelas Cosmovisões, ou a perspectiva científica e holística do desenvolvimento de espécies (hã?), a estrante Úrsula Félix (BA) trouxe uma coleção quase só de curtos (foto 02), e apenas uma calça. Com toda a complexidade do tema, a estilista esqueceu de elaborar mais na modelagem, assim como na assinatura pessoal, pois admito que em alguns momentos achei que o desfile era do Rober Dognani.

Fotos: Charles Naseh (Chic)





Rio Moda Hype abre o FashionRio Verão 2010

5 06 2009

Começa hoje no Pier Mauá o FashionRio, a semana de moda carioca comandada a partir desta edição pelo Paulo Borges, do SPFW. A abertura do evento fica a cargo do Prêmio RioModaHype, com 12 desfiles de novos criadores selecionados pelo concurso. Desfilam essa noite Bruna Ribeiro, Vitorino Campos, Lore, Martins Paulo, Úrsula Felix, Jotadê, Fernando Yamamoto, Butch, Alison Rodrigues, Stefania, R.Groove e Julia Valle.

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Nos croquis, os trabalhos de Julia Valle (que eu admiro e já falei do último desfile aqui) e da marca Lore. Nesse ano, o melhor desfile será premiado com um curso de pós-graduação no Senai/Cetiqt.

É só esperar subir as imagens desses desfiles que o OutraCostura vai fazer sua cobertura, afinal, aqui novos criadores têm lugar de destaque.





Dragão Fashion 2009: Outros Olhares!

5 05 2009

Bom, como eu tinha prometido (e bem que demorou) depois de uma visão das marcas de jeanswear + populares do Dragão Fashion 2009, agora os olhares serão para os novos (ou nem tanto) criadores da cena local de Fortaleza, que nessa edição do evento se mostrou muito bem.

Lindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Lindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Lindebergue Fernandes

Em todos os eventos do Dragão Fashion, a imprensa especializa têm o costume de colocar o estilista Mark Greneir como o nome local mais representativo nos desfiles, mas na minha opinião depois dessa edição não há ninguém mais representativo do que Lindebergue Fernandes, que começou em 2002 dentro de um concurso do próprio evento, e nessa temporada fez sem dúvida a melhor coleção.

Com o tema Natividade, Lindebergue acredita que há um movimento de retorno às cultura nativas: brasileiras, americanas, asiáticas e africanas. Mas também está muito ciente de que habitamos em um mundo sem fronteiras, conectados ao mesmo tempo às tradições de nossa cultura de origem e à assimilação de novas culturas. Somos ‘novos nativos’. O estilista nos fala da London de Caetano e me vêm a cabeça à cantora Cibelle e seu estilo tropicalismo-vintage, ainda repleto de referências oitentistas. São dessas pessoas que Lindebergue quer falar, e pra isso usa punhos de rede, rendas, franjas, tinturas manuais no jeans e aplicações para criar as mais interessantes texturas artesanais em peças sobrepostas e dramáticas com um clima de sertão nordestino. Mas esses ‘novos nativos’ também usam xadrex, calças cenoura, super-skinny, ombros ‘pontudos’, modelagem com formas geométicas e óculos ray-ban, e por isso parecem estar em qualquer cidade do mundo. É aí que local e global andam de mãos dadas e toda a coleção flui muito bem tanto para as mulheres quanto nos poucos looks masculinos. Espero que esse conceito também esteja bem distribuído nas prateleiras quando chegar nas lojas (onde será que vende?), por que se tiver oportunidade de encontrar quero muito uma peça dessa coleção, ela fala muito.

Gilvania Monique - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoGilvania Monique - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoGilvania Monique - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoGilvania Monique - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Gilvânia Monique

É até um pouco de covardia colocar esse desfile logo depois do Lindebergue, mas é pra mostrar como mesmo sem muita ‘ousadia’ dá pra afirmar um amadurecimento interessante para o artesanato e a produção local. E foi o caso de Gilvânia Monique, que fez da renda e de outros trabalhos manuais de costura parte de itens clássicos (em preto e branco) e bastante desejáveis, criando uma coleção contemporanêa e sem estereótipos.

Melca Janebro - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoMelca JanebroMelca Janebro - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoMelca Janebro - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Melca Janebro

Quem também começou pelo Dragão e já passou pelo RioModaHype é a estilista Melca Janebro. Nessa edição, pensou em retornar às origens da marca (há um curioso movimento de marcas “novas” buscando suas origens…vai entender). E nas origens se encontra o patchwork, que sempre nos traz a lembrança daquela toalha de mesa no interior. Melca Janebro sempre teve esse espírito brasileiro, mas a inspiração no artesanato libanês trouxe tons mais escuros e estampas que renovaram um pouco o repertório da estilista, que mesmo assim não deixou de recair em alguns momentos ‘patchwork de qualquer coisa’. Pontos super positivos foram o lançamento de uma coleção de mochilas estampadas e uma coleção infantil, que têm tudo a ver com o trabalho da estilista, pois as roupas coloridas e com cara artesanal, combinam muito com a criançada. A está estilista aposta nesses novos mercados. E eu apoio ela.

Iury Costa - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoIury Costa - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoSIS - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoUFC (Concurso dos Novos) - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Iury Costa (1/2) SIS por Natália e Larissa (3) e UFC (4)

Iury Costa começou no úlimo Dragão dentro do concurso de novos, e agora fez parte do line-up do evento. Apesar de existir um ar de Uma por Raquel Davidowicz, a coleção como um todo é legal, bem alinhada, e tem um mix interessante de peças. Eu gosto das estampas e dos colares, mas pareceu faltar uma assinatura mais forte do estilista. Questão de tempo?

Quem tabém entrou no line-up após participar do concurso de novos criadores foram as estilistas Natália e Larissa, que agora assinam como SIS (as duas já apareceram aqui com suas criações figurando no post sobre as inscrições para o concurso desse ano). Elas propõem uma viagem global, mas no fundo ficam presas a estereótipos e poucas silhuetas, como longos vestidos que parecem datados, criando um conjunto confuso, sem identidade. Não foi dessa vez meninas!

O que também não rolou (mas aconteceu) foi o Concurso dos Novos. Trabalhos fracos e um resultado que eu não entendi direito.  Com o tema Lendas do Brasil, a Universidade Federal do Ceará fez uma coleção de forte expressividade, com uma cartela simples, e uma modelagem e trabalho artesanal bem estruturado. Usou com respeito a pintura na cara de inspiração indígena (como também usou a SIS), mas perdeu o primeiro lugar para a Unipar, do Paraná. Será que não quiseram dar o prêmio à uma universidade local pra não parecer marmelada? A UFC bem que merecia.

Tarcisio Almeida - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoTarcisio Almeida - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoTarcisio Almeida - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoTarcisio Almeida - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Tarcísio Almeida

Tarcísio é baiano, e quebra um pouco com o que esperamos ver em um evento nordestino. Seu olhar minimalista, com cartela clássica (preto/branco/vermelho), dá vazão para que ele possa extravazar nas formas, estudando e retrabalhando modelagens. Apesar de alguns momentos de exagero, Tarcísio Almeida traz peças onde pequenos detalhes falam muito mais, e funcionam na vida real. Não tem pra que exagerar não é! Agora só falta dar um pouco mais de personalidade pra coleção, senão fica com essa cara de estilista findanlês. Mas ora, não era eu que falava em quebrar o ‘nordestino’? É, mas eu lembrei agora do Lindebergue Fernandes, adoro os ‘novos nativos’, isso sim tem assinatura.

Enfim, para a ver a cobertura completa do Dragão Fashion e tirar suas próprias conclusões é só acessar o site aqui.





FashionRio: O Melhor do RioModaHype

19 01 2009

O Rio Moda Hype, projeto que falei no primeiro post do blog, realizou no rio duas sessões de seis desfiles nos dias 15 e 16, e de todas as propostas uma me saltou os olhos: a da estreante Julia Valle, de Belo Horizonte/MG. Na coleção “Generator”, Julia se aliou a um progamador para criar um software de computador que realiza deformações aleatórias em modelagens de peças do vestuário. Foram 100 modelagens geradas e selecionadas em 15 looks, criando formas novas que a partir daí foram trabalhadas pela estilista. O que se viu na passarela é que, além desse conceito absurdo – que questiona a máquina como elemento de larga escala e a coloca também como criadora da roupa -,  máquina e estilista nunca se deram tão bem, pois esta aí uma coleção versátil, madura, coesa e completamente usável. Gosto das cores, da construção do desfile, das estampas, da variedade de peças (vestido, calça, bolero, camisa, colete…) e da silhueta, contemporânea e bem feminina. Bom, nem precisa dizer que ainda quero ouvir muito da Julia Valle e desse software (que não descobri o nome).

 

Julia Valle- Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009Julia Valle- Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009

Julia Valle- Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009Julia Valle- Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009Julia Valle- Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009Julia Valle- Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009

 

Entrando em outro território, fica aqui também a citação do desfile da marca R.Groove (que já participa pela quarta vez no RioModaHype), pra abrir um pouco de espaço para o universo masculino. A marca, comandada por Rique Gonçalves no Rio, saiu um pouco de um “masculino” mas neutro e sisudo como se vê por aí pra entrar de “coração” nas cores-listras-gráficos em versão new-rave. “I love my life” trouxe formas amplas e algumas ajustadas na medida certa pros homens reais, criando peças bacanas que sem todo o neon das cores e crash de estampas, dariam básicos ótimos pro guarda-roupa masculino, como no macacão preto. 

R. Groove - Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009R. Groove - Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009R. Groove - Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009R. Groove - Rio Moda Hype - Fashion Rio Inverno 2009

Curiosamente, não sei se pelo conjunto jaqueta gráfica preto e branco, listras e mega-gargantilha, a última imagem que postei aqui me lembrou o desfile inspirado na tribo Ndebele do Herchcovitch.  Digo curiosamente por que a Rainha Nbedele, Esther, acabou de desenhar uma sandália para a Melissa e está no Brasil para lançá-la na São Paulo Fashion Week. Que tal?





Fashion Rio: Começando por quem tá começando!

16 01 2009

Pra iniciar esse blog de uma vez por todas (mesmo sem um layout fechado), nada melhor do que essa época: acontecem agora as duas maiores semanas de moda desse nosso querido país (Fashion Rio e SãoPauloFashionWeek), então não faltarão coisas interessantes – ou não – para postar por aqui. Como dessa vez me encontro na parte ao norte do país e não poderei nem correr pelos corredores da Bienal trabalhando, ficarei por aqui gastando horas em fotos, vídeos e blogs por aí, querendo entender o que se passa nessas muitas mentes que desfilam, sejam elas criativas ou não.

Entrando nesse clima de “beginning”, nada melhor do que prestigiar quem também tá metendo a cara no mercado e nas passarelas, e o Fashion Rio sem dúvida é um evento que aposta em espaços para a nova geração, pois dentro do line-up do evento  já existem dois segmentos para novos criadores.

O primeiro segmento, intitulado de Novos Criadores, é formado por (4) marcas convidadas pelo próprio evento e que já parecerem ter uma estrutura mais organizada: são elas Koolture, Filhas de Gaia, Giulia Borges e Homem de Barro.

Já o segundo espaço, o Rio Moda Hype, citado como o evento mais importante de inclusão de novos talentos no Brasil pela revista-referências Collezioni, é um concurso com inscrições semestrais e que dá como prêmio um espaço para desfilar na semana do rio. Nesse evento são 12 marcas que fazem parte desse ótimo projeto criado por Fernando Molinari e Robert Guimarães, diretores do Inbracultmode (Instituto Brasileiro de Cultura, Moda e Design), nome atualmente por trás do blog Roda da Moda e da famosa Babilônia Feira Hype, o primeiro projeto da dupla e que é hoje a feira mais bacana do Rio e especializada em lançar novas marcas.

Mas sim, o que essas marcas todas mostraram afinal? Já que amanhã ainda tem Moda Hype, vamos por partes. No segmento do próprio FashionRio, a Koolture fez retrospectiva (?)(precisava?), as Filhas de Gaia viram uns vitrais de igreja mas não saíram do pastiche do pastiche-oitentista que para elas é ‘trangressão chic’ e a Homem de Barro pensou até bem na fofura contra a guerra, mas não empolgou.

Bom, quem se colocou mesmo foi a estilista Giulia Borges. Quando ouvi no “compacto” do GNT que a coleção era “índios vs. cowboys”, admito que achei um puta clichê, mas vendo o desfile rapidamente, senti que a coisa era interessante e coerente. Não sei se foi a trilha com um cover de “Heart it Races” (por Dr. Dog) do Architechture in Helsinki que descobri com ela, mas dei uma olhada no desfile completo e agora admito outra coisa: Giulia Borges sabe fazer uma coleção cool e bem amarrada.

Gosto muito das proporções, da construção de volumes, da modelagem bem trabalhada que varia entre amplos, retos e blusados, mas fica bem alinhada pela vontade de passar uma mensagem sólida. Acho que Giulia talvez exagerou nos brincos e acreditou em estampas similares e sem muita definição visual, mas acertou em cheio nos tricôs, na proporção de calça e short e no conjunto meia-listrada e bota, que pra mim é um dos sapatos mais bacanas desse inverno à carioca, apesar de Giulia Borges ser capixaba.

Foto Silvia Borello - erikapalomino.com.brFoto Marcio Madeira - fashionrio.com.br

Foto de Marcio MadeiraFoto de Marcio MadeiraFoto de Marcio MadeiraFoto de Marcio Madeira