Dragão Fashion 2009: Outros Olhares!

5 05 2009

Bom, como eu tinha prometido (e bem que demorou) depois de uma visão das marcas de jeanswear + populares do Dragão Fashion 2009, agora os olhares serão para os novos (ou nem tanto) criadores da cena local de Fortaleza, que nessa edição do evento se mostrou muito bem.

Lindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Lindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoLindebergue Fernandes - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Lindebergue Fernandes

Em todos os eventos do Dragão Fashion, a imprensa especializa têm o costume de colocar o estilista Mark Greneir como o nome local mais representativo nos desfiles, mas na minha opinião depois dessa edição não há ninguém mais representativo do que Lindebergue Fernandes, que começou em 2002 dentro de um concurso do próprio evento, e nessa temporada fez sem dúvida a melhor coleção.

Com o tema Natividade, Lindebergue acredita que há um movimento de retorno às cultura nativas: brasileiras, americanas, asiáticas e africanas. Mas também está muito ciente de que habitamos em um mundo sem fronteiras, conectados ao mesmo tempo às tradições de nossa cultura de origem e à assimilação de novas culturas. Somos ‘novos nativos’. O estilista nos fala da London de Caetano e me vêm a cabeça à cantora Cibelle e seu estilo tropicalismo-vintage, ainda repleto de referências oitentistas. São dessas pessoas que Lindebergue quer falar, e pra isso usa punhos de rede, rendas, franjas, tinturas manuais no jeans e aplicações para criar as mais interessantes texturas artesanais em peças sobrepostas e dramáticas com um clima de sertão nordestino. Mas esses ‘novos nativos’ também usam xadrex, calças cenoura, super-skinny, ombros ‘pontudos’, modelagem com formas geométicas e óculos ray-ban, e por isso parecem estar em qualquer cidade do mundo. É aí que local e global andam de mãos dadas e toda a coleção flui muito bem tanto para as mulheres quanto nos poucos looks masculinos. Espero que esse conceito também esteja bem distribuído nas prateleiras quando chegar nas lojas (onde será que vende?), por que se tiver oportunidade de encontrar quero muito uma peça dessa coleção, ela fala muito.

Gilvania Monique - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoGilvania Monique - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoGilvania Monique - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoGilvania Monique - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Gilvânia Monique

É até um pouco de covardia colocar esse desfile logo depois do Lindebergue, mas é pra mostrar como mesmo sem muita ‘ousadia’ dá pra afirmar um amadurecimento interessante para o artesanato e a produção local. E foi o caso de Gilvânia Monique, que fez da renda e de outros trabalhos manuais de costura parte de itens clássicos (em preto e branco) e bastante desejáveis, criando uma coleção contemporanêa e sem estereótipos.

Melca Janebro - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoMelca JanebroMelca Janebro - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoMelca Janebro - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Melca Janebro

Quem também começou pelo Dragão e já passou pelo RioModaHype é a estilista Melca Janebro. Nessa edição, pensou em retornar às origens da marca (há um curioso movimento de marcas “novas” buscando suas origens…vai entender). E nas origens se encontra o patchwork, que sempre nos traz a lembrança daquela toalha de mesa no interior. Melca Janebro sempre teve esse espírito brasileiro, mas a inspiração no artesanato libanês trouxe tons mais escuros e estampas que renovaram um pouco o repertório da estilista, que mesmo assim não deixou de recair em alguns momentos ‘patchwork de qualquer coisa’. Pontos super positivos foram o lançamento de uma coleção de mochilas estampadas e uma coleção infantil, que têm tudo a ver com o trabalho da estilista, pois as roupas coloridas e com cara artesanal, combinam muito com a criançada. A está estilista aposta nesses novos mercados. E eu apoio ela.

Iury Costa - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoIury Costa - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoSIS - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoUFC (Concurso dos Novos) - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Iury Costa (1/2) SIS por Natália e Larissa (3) e UFC (4)

Iury Costa começou no úlimo Dragão dentro do concurso de novos, e agora fez parte do line-up do evento. Apesar de existir um ar de Uma por Raquel Davidowicz, a coleção como um todo é legal, bem alinhada, e tem um mix interessante de peças. Eu gosto das estampas e dos colares, mas pareceu faltar uma assinatura mais forte do estilista. Questão de tempo?

Quem tabém entrou no line-up após participar do concurso de novos criadores foram as estilistas Natália e Larissa, que agora assinam como SIS (as duas já apareceram aqui com suas criações figurando no post sobre as inscrições para o concurso desse ano). Elas propõem uma viagem global, mas no fundo ficam presas a estereótipos e poucas silhuetas, como longos vestidos que parecem datados, criando um conjunto confuso, sem identidade. Não foi dessa vez meninas!

O que também não rolou (mas aconteceu) foi o Concurso dos Novos. Trabalhos fracos e um resultado que eu não entendi direito.  Com o tema Lendas do Brasil, a Universidade Federal do Ceará fez uma coleção de forte expressividade, com uma cartela simples, e uma modelagem e trabalho artesanal bem estruturado. Usou com respeito a pintura na cara de inspiração indígena (como também usou a SIS), mas perdeu o primeiro lugar para a Unipar, do Paraná. Será que não quiseram dar o prêmio à uma universidade local pra não parecer marmelada? A UFC bem que merecia.

Tarcisio Almeida - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoTarcisio Almeida - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoTarcisio Almeida - Dragão Fashion 2009 - DivulgaçãoTarcisio Almeida - Dragão Fashion 2009 - Divulgação

Tarcísio Almeida

Tarcísio é baiano, e quebra um pouco com o que esperamos ver em um evento nordestino. Seu olhar minimalista, com cartela clássica (preto/branco/vermelho), dá vazão para que ele possa extravazar nas formas, estudando e retrabalhando modelagens. Apesar de alguns momentos de exagero, Tarcísio Almeida traz peças onde pequenos detalhes falam muito mais, e funcionam na vida real. Não tem pra que exagerar não é! Agora só falta dar um pouco mais de personalidade pra coleção, senão fica com essa cara de estilista findanlês. Mas ora, não era eu que falava em quebrar o ‘nordestino’? É, mas eu lembrei agora do Lindebergue Fernandes, adoro os ‘novos nativos’, isso sim tem assinatura.

Enfim, para a ver a cobertura completa do Dragão Fashion e tirar suas próprias conclusões é só acessar o site aqui.

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São Paulo Fashion Week:O Velho e o Novo

26 01 2009

(Este post está sendo escrito novamente, o WordPress bugou e eu perdi tudo)

 

A São Paulo Fashion Week começou (e já acabou). Foi uma semana de coleções cinzentas como a paulicéia que fez aniversário ontem, e apesar da temática do evento ser ‘brasileirismos’, com direito a exposição sobre Carmen Miranda (odeio estar longe), outra inspirada no ícone ‘smile’ (não entendi muito) e boléias de caminhão decorando os corredores, muitos estilista preferiram ir a Berlim, Holanda, Rússia e Escandinávia, tornando tudo mais brasileiro-miscigenado ainda.

Durante toda a semana eu fiquei pensando muito sobre um assunto: a questão do ‘velho’ e do ‘novo’ no mundo da moda. Primeiro começando por esses elementos de brasilidade que ainda dão muito caldo, como citou o Chiqueiro Chique (no Flickr da Marina também têm algumas fotos), fazendo nossa imagem de Brasil pelo mundo.

Durante o segundo dia, foi Ronaldo Fraga que nos fez pensar escalando para sua coleção apenas idosos acima de 70 anos e crianças pequenas pra falar sobre o tempo, sobre a imagem de corpo e idade que o mercado constrói incalsavelmente, sobre o efêmero da vida como um risco de giz. Foi um novo ‘olhar’ do estilista para o mundo da moda.

Ronaldo Fraga Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brRonaldo Fraga Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brRonaldo Fraga Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brRonaldo Fraga Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.br

Ainda no segundo dia, Alexandra Farah (do FilmeFashion) fez uma coluna para o IG com o título “fast-fashion dá lugar ao slow-fashion“. A matéria foi instigada por um texto do NY Times que fala como as ‘modas’ andam demorando muito pra mudar. Os óculos brancos, os paetês, as tachas… tudo já anda por aí há muito tempo, e parecem que ainda vão durar mais ainda. Será que nesses tempos de ‘banda larga’ não somos nós que andamos com pressa demais? Bom, o que nos resta é ver os paetês deformados de Alexandre Herchcovitch (e em versão mais clássica por Wilson Ranieri); além  das franjas à gaucha da Forum Tufi Duek e o efeito “franjado” da Osklen.

Herchcovitch Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brWilson Ranieri - Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brForum Tufi Duek  Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brOsklen Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.br

Dessa forma, pensando nesse velho/novo que caracteriza a moda e ‘assombra’ alguns estilistas, influenciando no ‘tal dna da marca’ (como no post aí embaixo), foi no terceiro dia do SPFW que o melhor lado dessa história deu as caras. Foi a Huis Clos, que em tempos de calças fofas-largas e macacões quadrados em tudo que é desfile (e isso é a cara da marca), surpreendeu e trouxe pelas mãos de Sara Kawasaki a coleção mais sexy e refinada da semana, mostrando como nada é mais gostoso do que renovar o repertório de vez em quando. Quem diria, a Huis Clos têm a calça skinny e o mini-tomara-que-caia mais elegantes da estação.

Huis Clos Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brHuis Clos Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brHuis Clos Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.brHuis Clos Inverno 2009 - Foto Charles Naseh - chic.com.br